A (necessária) crise: é a hora do empreendedor!

Ouve-se com frequência nas conversas de bares, na negociação com o vendedor, nos posts no Facebook: “Estamos em crise!”. Sim, não há como discordar. Em um ranking divulgado em maio pela Austin Rating sobre o Produto Interno Bruto, o Brasil aparece em 31º lugar de 33 países, ficando à frente apenas da Rússia e Ucrânia – países que sofrem efeitos de uma guerra separatista. O primeiro trimestre de 2015 representou uma queda de 1,6 % do PIB quando comparado ao mesmo período do ano passado e a projeção é de que haja uma retração de 1,4% do PIB total no ano de 2015. Isso representaria o pior resultado desde 1990, que teve o índice de 4,35% de retração. Enquanto isso, de acordo com o FMI, a inflação pode chegar a 7,8%, ultrapassando a meta do Banco Central, que era de 4,5%.

Esses são alguns números da crise. Mas, o que é a crise? Nada mais do que o desequilíbrio. A crise de asma, a crise de um casamento, a crise de ansiedade, a crise financeira, todas elas tem em comum o desequilíbrio. Algo que é necessário para o bom funcionamento de um processo e que não está sendo suprido. Não entraremos na discussão do que ocasionou essa crise pois há uma série de fatores a serem analisados, no entanto, um erro comum neste momento é a associação da crise com a ausência de dinheiro. O dinheiro presente no Brasil e no mundo não sumiu. Não se queima dinheiro. Ele só está passando de uma mão para a outra e pode ser que hoje, ele não esteja na sua. Precisamos entender que a economia à cíclica e crises sempre irão ocorrer, uma hora ou outra e dela, sempre resultará ônus e bônus.

Para enfrentar essa realidade, o que se observa, de imediato, são cortes de gastos – que pode ser observado na alta taxa de desemprego –  e aumentos nos preços. Analisando à longo prazo, pode-se observar que este cenário é ideal para o desenvolvimento da atividade empreendedora, que tem como raiz a inovação, tão necessária para superar momentos de adversidades. Seja por oportunidade ou necessidade, o desequilíbrio é o espaço do empreendedor, que é o especialista nos negócios futuros, no que ainda não aconteceu. Quer um exemplo? É sabido que o mercado editorial tem enfrentado dificuldades há tempos, seja pelo comportamento dos leitores brasileiros, seja pela onda dos e-books. Diante disso,  editora Sextante já faturou cerca de 25 milhões de reais com os famosos livros terapêuticos para colorir. A ideia de um novo produto que atende à demanda de uma sociedade estressada, faz com que uma empresa cresça em meio à crise. A dica é encarar a crise e aproveitar o momento para o exercício da criatividade, planejamento e mensuração dos riscos, já que, enquanto uns choram, outros vendem (e muito) lenço.

A autora desta coluna, Beatriz Vital, é graduanda em Jornalismo pela Unesp Bauru, membro mentora da Viking Network e empreendedora.

 

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