A pátria educadora que corta verba da educação

Henrique Cisman

“Brasil, pátria educadora!”. Esse é o slogan do Governo Federal para os próximos anos de gestão. Substitui o “País rico é país sem pobreza!”, que também se encaixa na categoria das falácias. Estendendo mais um pouco a memória, podemos lembrar ainda do “Brasil, um país de todos!”, que logo foi remendado pelo “Brasil, um país de todos. E de todas!”, claramente preocupado em agradar também o movimento feminista. Como se isso, na prática, fizesse alguma diferença.

O fato é que, de todos os slogans que me recordo e citei acima, o atual é o mais mentiroso e afrontador. Porque embora o país não seja de todos (nem de todas) e ainda se haja muita pobreza, os programas assistencialistas maquiaram essa triste realidade e até tiveram sua importância para uma parcela do povo que precisa apenas de uma força para crescer, viver com dignidade.

Mas dizer que a pátria é educadora é uma grande sacanagem com a população. Com todos, aliás: ricos, pobres, moradores de condomínios de luxo, favelados e por aí em diante. Mas, ainda mais, com os trabalhadores que ganham pouco e não têm condições de pagar uma escola particular, e então assistem ao(à) filho(a) nada aprender no colégio público sem professor, sem estrutura, sem método, sem ordem.

Quando, no início do ano, fiquei sabendo do novo slogan pela tevê, já pensei: isso vai ser mais uma mentira. Mas me veio um alento: “pode ser que agora os investimentos no setor cresçam, afinal, com um slogan desses é o mínimo que se espera”.

E eis que, quase meio ano depois, o Governo anuncia um corte orçamentário de quase 70 BILHÕES de reais. Os setores mais atingidos? Ministério das Cidades (ok, mas vai dificultar programas municipais efetuados em parcerias), Ministério da Saúde (!!!) e Ministério da Educação (é isso mesmo, contribuinte). Cortaram R$ 11 bilhões da Saúde e mais de R$ 9 BILHÕES da Educação.

Agora reflita: que pátria educadora corta R$ 9 BILHÕES da Educação??? A resposta: A pátria brasileira, que, como diria Zé Ramalho, “pode ser o país do futebol (e nem isso é mais), mas não é com certeza o meu país (e nem o da educação)”.

Pensemos nos discursos que são usados pra justificar esse corte: “o país está em crise”; “é preciso pagar os juros da dívida pública”; “o investimento em poupança, o comércio, está tudo em recessão” e blá blá blá. De quem é a culpa? Será que é do governo que terminou há 13 anos? Não! É incompetência e é, sobretudo, corrupção (do governo atual) que levaram à crise.

Enfim, pra deixar todos nós realmente com caras de trouxa, uma informação adicional: há poucas semanas, o repasse do Governo aos partidos foi mais que dobrado, um montante igual a 865,7 MILHÕES de reais. Isso porque o novo Ministro da Fazenda fala a todo o momento da necessidade de ajuste fiscal… Tirem suas conclusões.

Henrique Cisman é estudante de jornalismo e assessor de imprensa da Prefeitura Municipal de Socorro.

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