Administrando um cinema no interior

Por Guilherme Franco

Quando falamos pipoca e aventura, qual a primeira coisa que vem à sua mente? Difundida cada vez mais na cultura brasileira, a arte de entrar em uma sala escura, ficar por lá por mais ou menos 2 horas e conhecer um novo mundo atrai muitas pessoas. Quando a gente quer ser distrair da realidade ou até ser um cinéfilo e ver incontáveis filmes, frequentar um ambiente cinematográfico é uma experiência singular. E você, já pensou em como é administrar um cinema? E fazer isso em uma cidade do interior?

Em Socorro, o Cine Cavalieri Orlandi, inicialmente chamado de Cine Voga, existe desde 1942, atualmente ele é administrado pelo André, Regina e Rina Orlandi Marchese. Com o passar do tempo, o espaço se situou em várias reformas, um exemplo disso é antes de o cinema ser fechado, na década de 80, o último filme a ser passado antes do local fechar foi “A Lagoa Azul”, e mesmo assim precisaram passar várias pornochanchadas para atrair o público.

Em 1996, o cinema reabriu com o filme do Zorro e começou bem imponente, mas após dez anos a movimentação continuou a cair e o espaço teve que ser fechado. Em 2006, André e Rina compraram o cinema e começaram a fazer algumas reformas, “o ar condicionado esquentava e esfriava, tinha poltronas quebradas e outros problemas”, conta André, 57, administrador de empresas. Em dezembro de 2012 foi realizada a mudança da película para o digital, além de inserir o 3D e contratar um programador. André conta que o 3D atraiu muita gente, e por ser uma novidade, foi optado trazer antes de todo mundo e assim chamar a atenção do público. Para a programação, eles trabalham com um profissional que seleciona quais filmes irão entrar em cartaz, “são lançados muitos filmes no mesmo mês e muitas vezes os exibidores exigem que se fique por no mínimo três semanas com determinado filme”, diz André.

De acordo com André e Rina, em Socorro o cinema tem apoio da prefeitura e de empresas parceiras, “é pouquinho, mas de pouco em pouco vamos crescendo.” Após as reformas e novas tecnologias adquiridas, o público passou de 100 pessoas por mês nos anos de 2006 e 2007 para 4000 em 2015. Com projetos em parceria, com escolas estaduais e municipais, as pessoas que vão ao local passaram de adultos para jovens, que são a maioria hoje em dia.

Com o cinema em suas mãos, os três irmãos (André, Regina e Rina) atuaram e atuam como empreendedores em um cenário de risco e, cada vez mais, usam estratégias para atrair socorrenses e turistas para assistirem os filmes. O Cine Orlandi está em projeto para abrir uma segunda sala, André ainda diz “que tem gente que tem medo de investir, e não quer gastar, e assim não tem retorno”.

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