Crédito mais fácil nem sempre é o melhor

Bruno Caetano

 A obtenção de crédito é assunto que sempre preocupa o empreendedor. Juros altos e excesso de exigências são fatores a distorcerem a busca por empréstimos. Digo distorcerem porque, na ânsia de se financiarem com rapidez e mais facilidade, as micro e pequenas empresas (MPEs) acabam escolhendo as opções mais caras do mercado: cheque especial e cartão de crédito.

O dado mais recente mostra que a taxa média do cheque especial em setembro era de 263,7% ao ano! No cartão de crédito os juros estavam em 414,3% ao ano! Ou seja, taxas altíssimas.

Mas por que os empresários recorrem a essas operações se, sabidamente, são caríssimas? Porque eles têm pressa para levantar capital e a burocracia para se conseguir um empréstimo nos bancos deixa muitos sem saída. Estudo do Sebrae-SP mostra que 80% dos empreendedores afirmam usar algum produto de crédito como cartão de crédito, cheque especial, financiamento, desconto de duplicatas, empréstimo e antecipação de recebíveis. Destes, 45% dizem ter aprovada a solicitação para utilizar cartão de crédito e 44% para o cheque especial. Ou seja, praticamente metade das MPEs está sujeita a juros muito altos.

Grande exigência de garantias e de documentação, saldo insuficiente e até o fato de a conta corrente ser nova atrapalham a concessão de crédito.

Esse quadro tem de mudar. Os bancos precisam ver que as MPEs são fundamentais para a economia do País e não podem ficar à margem dessa engrenagem. Se o desenvolvimento delas for sufocado, o Brasil perde.

Ao empresário, cabe se organizar para não recorrer a empréstimos no afogadilho, pois com planejamento ele pode pesquisar linhas mais baratas. Se já entrou no especial ou no cartão, vale trocar a dívida por outra de juros menores.

Porém, lembre-se que a parcela mensal representará um custo fixo e precisa caber no orçamento. Antes de tomar o empréstimo, certifique-se de quanto pode pagar por mês e leve o valor ao gerente do banco para negociar.

Se a ideia é usar crédito para investir, por exemplo, diversificando produtos, é vital saber se seu cliente pode bancar esse algo mais. Senão, a operação pode se tornar uma armadilha.

Portanto, planeje, reúna informações e negocie. Só assim você vai tomar a melhor decisão.

Bruno Caetano é diretor superintendente do Sebrae-SP

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