Esfarelando uma personalidade

Por Leandro Nicoletti

O Regime militar foi precedido por uma intensa atividade dos jovens brasileiros, que, mesmo durante parte da ditadura, foram um dos principais protagonistas políticos e, talvez, aqueles que de maior visibilidade.

A ação repressiva dos anos 70 cassou a palavra desses jovens e os empurrou para a luta armada. O sacrifício juventude, por outro lado, criou no seio familiar, o temor de que seus filhos se envolvessem com a politica, passando a desencorajar sua inserção no meio. A redemocratização do país parecia um chamamento à participação cidadã. No entanto, o caldo cultural em que o jovem está imerso e o intenso processo de individualização, tornaram a politica pouco atraente.

O jovem brasileiro passa por um processo de alienação individual e até coletivo, enquanto que o caminho de inclusão e participação na arena decisória da vida política nacional, não pode aguardar mais tempo. O motivo desse distanciamento e falta de interesse por participar em uma atividade política, que já foi um campo privilegiado da ação dos jovens, não pode ser atribuído, no entanto, apenas a uma crise de valores dominantes na conjuntura politica nacional. O fenômeno é complexo e só pode ser compreendido como processo histórico e social de nosso Brasil verticalmente politizado.

Some-se a isso, a extrema dificuldade de inserção na vida politica partidária, vista como uma coisa suja e onde os espaços ocupados por seus mandatários já estão sendo reservados para seus herdeiros políticos.

Esse afastamento é muito prejudicial para uma nação, pois serão eles que suportarão a omissão que outrora, praticaram. É dever de toda pessoa participar de alguma forma, sobre o processo político de um país, pois os direitos fundamentais e sociais serão usufruídos por aqueles que terão um mínimo de conhecimento para o seu aprimoramento e exigências sobre o Estado-Poder.

De alguma forma, sempre terá a parcela da exclusão, mas com certa dose de participação de pessoas capazes de fazer alguma diferença, conseguiremos coibir que essa exclusão seja ampliada sobre a nossa população.

O atributo de governar cabe àqueles escolhidos pela maioria, mas de nada adianta quando se do resultado desse governo, nada se extrai com qualidade e segurança. Não poderemos jamais cair na tentação do cômodo, onde parece que tudo está perdido e que aqui é e será assim mesmo. Poderemos fazer melhor, se quisermos. Isso dependerá de cada um de nós, hoje! Seja um patriota!

Leandro Nicoletti
Pós Graduado em Civil e Processo Civil pela LEGALE – S.P.
Conclusão em Direito do Consumidor pela USF – S.P.

Conclusão em Filosofia e Sociologia pela Fundação Getúlio Vargas

 

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