Mais um gol da Alemanha

Por Henrique Cézar

Na última semana completou-se um ano do maior vexame da história do futebol brasileiro. A derrota por 7 a 1 para a Alemanha na semifinal da Copa do Mundo, realizada em território brasileiro, certamente significava mais que um time taticamente medíocre. A humilhação sofrida no estádio do Mineirão naquela terça-feira, 8 de julho de 2014, era o que faltava para evidenciar a profunda crise pela qual atravessa o futebol brasileiro.

Entre os principais problemas do futebol estão a violência nos estádios e o endividamento dos clubes, além da falta de gestão profissional. Os apontamentos constam em um estudo realizado pelo grupo Futebol do Futuro, que reúne integrantes do mundo do futebol, divulgado em 2013. Ainda são apontados problemas como a falta de punição a dirigentes, a grande concentração de poder da CBF e das federações estaduais e a falta de transparências dos gestores.

Problemas enraizados no futebol e que refletem diretamente em estádios vazios, falta de interesse e engajamento de torcedores e até um intenso distanciamento, como começa a ser percebido em relação à seleção brasileira, recentemente eliminada da Copa América em uma participação bem apagada.

A falta de modernização dentro das quatro linhas também é reflexo dos retrógrados dirigentes. Aliás, é bom reforçar que a política exercida por entidades e clubes no mundo do futebol é tão suja e promiscua quanto ao que assistimos em Brasília. Aproveitando-se de entidades privadas, os abusos de poder, políticos e econômicos, são muitas vezes superiores aos praticados por agentes públicos e interferem diretamente na qualidade do espetáculo a ser apresentado para os torcedores.

Não bastasse as críticas nas páginas de esporte, o futebol virou caso de polícia. Recentes investigações comandadas pelo FBI nos EUA revelaram diversos esquemas de pagamentos de propinas entre integrantes da FIFA e confederações nacionais, entre elas a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), cujo ex-presidente, José Maria Marin, encontra-se preso.

Com a aprovação na última segunda-feira, 13, da Medida Provisória (MP) do futebol, uma tímida sensação de esperança resurge. De acordo com o projeto aprovado por deputados e senadores e que aguarda sanção da presidente Dilma Rousseff, os clubes poderão renegociar suas dívidas, desde que ofereçam contrapartidas como a modernização das gestões, responsabilização de dirigentes e cumprimento de compromissos trabalhistas com os atletas, entre outras medidas.

Entretanto, nada muda na concentração de força e poder da CBF e das federações estaduais. Além de incapazes tecnicamente de melhorar o futebol brasileiro, defasados pela ganância, esses dirigentes possuem outros interesses e apenas um enfraquecimento de suas forças poderia resultar em novos tempos. Isso até poderia acontecer com a nova CPI do Futebol, que terá o Senador Romário (PSB/RJ) como presidente, mas certamente jogarão pelo empate. Talvez seja o caso dos ainda persistentes torcedores começarem a se aproximar das estâncias burocráticas e políticas de seus clubes para sonhar com algo melhor. Enquanto tudo isso acontece, ficamos com a falsa ilusão de alguns títulos, uma ou outra vaga para a Taça Libertadores e, ainda sinto, que levamos mais um gol da Alemanha.

Henrique Cézar é estudante de jornalismo da UNESP de Bauru/SP.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *