O Judiciário sob holofote

Advogado comenta o impacto da cobertura midiática nos tribunais

Agnes Sofia Guimarães

“Eu não acho, tenho certeza”. A incisividade do advogado arranca sorrisos, amargos. A resposta era para um questionamento sobre o “desserviço” que a cobertura midiática poderia ter causado ao julgamento do Mensalão. O advogado, Antônio Carlos de Almeida Castro, mais conhecido como Kakay, está habituado aos holofotes da imprensa. Além de conseguir a absolvição do marqueteiro Duda Mendonça no Mensalão, ele foi o advogado da atriz Carolina Dieckman quando fotos íntimas da atriz foram publicadas na internet, e trabalhou, recentemente, na defesa de Roberto Carlos na decisão do STF sobre a legitimidade das biografias não-autorizadas.

Em conversa para estudantes de jornalismo, em São Paulo, o advogado comentou esses e outros casos e a forma como lidou com a imprensa, que, segundo ele, possui, muitas vezes, o potencial de “criar ficções” a partir de interpretações equivocadas das decisões do Tribunal. Quando foi divulgada sua derrota na decisão do STF a respeito das biografias não-autorizadas, o advogado pediu um esclarecimento aos veículos para corrigir a informação: afinal, a defesa à privacidade que defendera estava mantida pela decisão. Ao ser chamado de defensor do mensaleiro, o advogado entrou em contato com o jornalista que fez a acusação, já que seu cliente foi absolvido.

Mas o outro lado da moeda também ocorre: graças a sua fama de resolvedor da República, Kakay já recebeu várias propostas de políticos e empresários que passaram a procurá-lo graças à repercussão midiática, todas recusadas. Segundo o advogado, ele só atende casos que vieram por recomendação de clientes, ex-clientes e advogados. Outra ambiguidade da relação com a imprensa é a vaidade, que, segundo Kakay, aumentou entre os criminalistas depois que casos como o Mensalão ganharam coberturas em tempo real por emissoras como TV Globo e TV Justiça. Se isso acarretou na pré-condenação dos réus, graças à pressão social e midiática, o advogado considera importante o aumento pelo interesse a casos em que a economia e a política brasileira estão em xeque.

“Acho que existe um enfrentamento com a Imprensa que deve ser necessário. Por mais que haja problemas, a repercussão dos casos sempre será mais importante”, concluiu.

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