“Por que se expor a ideias contrárias às suas é a melhor coisa que poderia te acontecer”

Estar errado é um saco. Estar errado e exposto a todos os seus amigos de rede social é pior ainda, eu sei. Todos nós temos ego e sabemos muito bem qual a sensação de se ver vulnerável frente a uma multidão.

Em novembro de 2014, a internet alcançava a incrível marca de 3 bilhões de usuários, um número inimaginável de pessoas com acesso à rede mundial de computadores. Apesar da comemoração e otimismo geral, uma questão essencial precisa ser levantada: apesar das diversas possibilidades trazidas até nós pelas novas tecnologias, até onde elas estão nos colocando em uma bolha?

Joãozinho gosta do partido roxo, Miguelito, do amarelo. Joãozinho adora redes sociais e vive curtindo diversas páginas, tais como “Todos pelo Partido Roxo”, “O Brasil é Roxo”, “Blog dos Roxos” etc. Já Miguelito, na ânsia de não ficar para trás, não faz diferente. Dentre as páginas favoritas dele no facebook, estão “Movimento do Partido Amarelo”, “Anti Partido Roxo”, “Jornalismo Amarelo” etc. A pergunta é, onde eles estão querendo chegar?

Uma das ferramentas que torna ainda mais genial o modelo de negócio de redes sociais como o Facebook é o direcionamento (tanto de conteúdo quanto de publicidade) que ele possibilita aos usuários. Ao clicar no botão de like, você está dando um sinal, mesmo que inconsciente, que aprova aquele tipo de conteúdo. Sendo essa a sua vontade ou não, os algoritmos começam a trabalhar e colocam na sua tela cada vez mais conteúdo similar ao que você curtiu, deixando tudo o que é diferente, de fora.

Dessa forma, não é difícil concluir que Joãozinho e Miguelito estão em bolhas – o primeiro em uma roxa e o segundo em uma amarela. Quando um faz um post dizendo que a crise causada pelo Partido Amarelo está corroendo os cofres públicos, o outro logo abre o google e em uma pesquisa rápida sobre como “a crise não é tão grave quanto parece”, encontra milhares de reportagens sobre o tema. A partir daí, começa a colá-las desenfreadamente nos comentários. Mas o que eles estão tentando provar?

É do conflito que nascem as ideias. Aceitar um jogo vazio de opiniões em vão nunca fez ninguém crescer – muito menos ajudou um país a melhorar sua situação política.

Postar conteúdos exigindo estar certo, se negar a repensar uma ideia quando ela é contestada, são todas formas de fechar os olhos para a realidade. Manter o universo das redes sociais apenas com opiniões confortáveis, que vão ao encontro do seu mundo homogêneo, nunca gerou evolução. No máximo essa atitude gera uma briga entre jornalista e fãs de um cantor sertanejo, todos protegidos por suas bolhas de opiniões idênticas às suas. Afinal, Cristiano Araújo era uma figura nacional ou regional? Quem se importa?

Por essas e outras, se você se tornou um cara que adora usar gel no cabelo, ler Mises e postar sobre meritocracia no Facebook, lembre-se daquele seu amigo de infância que hoje foi estudar história em outra cidade e agora só anda com a camiseta do Che por aí. Antes de excluí-lo dos seus círculos virtuais, que tal convidá-lo pra uma cerveja e ver até que ponto os dois pensamentos podem se complementar? Mas só faça isso se estiver disposto a entender situações antes de tomar decisões precipitadas. Caso contrário, abra o notebook, escolha a sua cor e continue concordando com todos que já concordam com você.

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