Será o começo do fim da farra no futebol?

Henrique Cisman

Há 7 dias o mundo esportivo vive tempos de esperança de dias melhores, mais honestos, transparentes e de progresso. Após uma investigação do FBI que levou quase quatro anos, grandes atores da organização que comanda o futebol mundial foram presos e outros tantos se encontram temerosos de terem o mesmo fim.

José Maria Marin, o ladrão de medalhas e ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol – atual vice –, foi preso na Suíça junto com mais seis camaradas, todos eles beneficiários de esquemas ilícitos que envolvem a FIFA e confederações de futebol da América do Sul – inclusive a CBF.

As acusações apontam recebimento de propina para diversos acordos contratuais com empresas do ramo esportivo e de marketing e corrupção na escolha das próximas duas sedes da Copa do Mundo – Rússia 2018 e Qatar 2022. As Copas do Mundo da África do Sul 2010 e Brasil 2014 também são alvo de investigação.

Outros torneios, como a Copa América Centenária, torneios da Concacaf e até a Copa do Brasil também foram alvo de negociações escusas, já desvendadas pela investigação da polícia norte-americana.

Reeleito na última sexta-feira (29), Joseph Blatter – que até o momento não teve seu nome ligado às acusações – renunciou ao cargo na tarde de terça-feira, quatro dias depois da vitória com apoio maciço das confederações mundiais – exceto as europeias, que apoiaram o candidato Ali Bin Al-Hussein, príncipe da Jordânia.

Por que Blatter renunciou? Dias antes, quando questionado da investigação, disse que “quem não deve, não teme”. Pelo jeito, o buraco é bem mais embaixo. Difícil acreditar que o presidente da entidade corrupta não fosse também corrupto e corruptor. Afinal, em qualquer empresa ou organização as decisões passam pela presidência.

A revelação das investigações e as prisões apenas começaram. O que se espera é que mais gente seja pega, inclusive Blatter e seus escudeiros. E que a nova eleição, prevista entre dezembro e março, coloque na presidência alguém que pense realmente no futebol e que consiga se manter alheio aos interesses financeiros e de poder.

Blatter mudou a legislação brasileira para a Copa de 2014. Permitiu que sejam sedes de Copas do Mundo um país que invade vizinhos em busca de mais territórios (a Rússia) e outro que explora mão de obra estrangeira e que até o momento já matou 1.400 pessoas na construção da infraestrutura necessária para o evento (o Qatar).

O futebol tem sido sempre a última das preocupações, embora seja a fonte da fortuna sem fim. Será que finalmente estamos vendo o começo do fim da farra nesse esporte? Esperamos que sim, e que o exemplo possa ser seguido no Brasil, ainda que aqui não tenhamos (infelizmente) a polícia e a justiça norte-americana.

Henrique Cisman é estudante de jornalismo e assessor de imprensa da Prefeitura de Socorro.

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